Foto: André Gouveia/ STIU-DF.

A segunda parte da programação do XII Congresso dos Urbanitários do Distrito Federal (Conurb-DF), realizada na tarde da sexta-feira (26), apresentou e debateu a história da organização nacional dos trabalhadores e trabalhadoras do ramo urbanitário. A mesa sobre “Análise da Conjuntura Setorial e Fortalecimento da Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU)” reuniu dirigentes sindicais para recuperar a trajetória que levou à criação da entidade e discutir o papel que ela desempenha diante das mudanças em curso no setor elétrico, no saneamento e nas demais áreas estratégicas.

Coordenada por David Gomes, a atividade contou com exposições de Fabiola Antezana, dirigente do STIU-DF, da Federação Regional Centro-Norte (Furcen) e da CNU, e de Elvio Vargas, secretário-geral da Confederação e dirigente do Sinergia-MS.

Ao longo da mesa, a história da CNU foi apresentada como resultado de uma construção coletiva iniciada ainda na década de 1990, quando a Central Única dos Trabalhadores (CUT) passou a organizar seus sindicatos por ramos de atividade. O caminho até a consolidação da Confederação envolveu a criação de federações regionais, mudanças na legislação sindical, disputas políticas e anos de articulação entre sindicatos espalhados pelo país.

Segundo Elvio Vargas, “o STIU-DF teve um papel protagonista em toda essa caminhada. Muitas das decisões que permitiram chegar até aqui passaram por este sindicato e por dirigentes que assumiram a tarefa de construir uma representação nacional para o ramo urbanitário”, afirmou.

Durante a apresentação, ele percorreu os principais marcos desse processo, desde a criação do antigo Departamento Nacional dos Urbanitários (DNU), em 1990, passando pela constituição da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), pelo registro de novas federações regionais e, finalmente, pela fundação formal da CNU, em dezembro de 2019, em Brasília. O reconhecimento oficial pelo Ministério do Trabalho veio em 2024, consolidando a entidade como representante nacional do ramo.

Ao citar experiências de outras categorias, como bancários e petroleiros, Fabiola Antezana explicou que uma entidade nacional amplia a capacidade de negociação e de incidência sobre políticas públicas.

A dirigente lembrou que a CNU participou da elaboração de propostas durante o processo de renovação das concessões das distribuidoras de energia, defendendo a inclusão de critérios relacionados à saúde e segurança dos trabalhadores, combate à terceirização e valorização do trabalho decente.

Embora nem todas as reivindicações tenham sido incorporadas, ela avaliou que a presença da Confederação permitiu abrir espaços de diálogo que antes sequer existiam.

Organização

Outro eixo do debate foi o impacto das mudanças estruturais no setor elétrico brasileiro. A ampliação da comercialização de energia, o avanço do mercado financeiro sobre empresas estratégicas e os desafios impostos pela transição energética foram apontados como temas que exigem uma atuação articulada em nível nacional.

Fabíola observou que, hoje, grandes grupos financeiros exercem influência sobre diversas empresas do setor, alterando a lógica de gestão e aumentando a pressão sobre os trabalhadores.

“Quem está controlando boa parte dessas empresas é o mercado financeiro. Se queremos enfrentar esse modelo, precisamos construir força social. Nenhuma categoria muda essa realidade sozinha”, afirmou.

Ela também destacou que a atuação da CNU tem buscado fortalecer alianças com movimentos populares, entidades de pesquisa e organizações ligadas à pauta ambiental e da transição energética, ampliando o diálogo para além das fronteiras do movimento sindical.

Fabiola chamou atenção ainda para outro desafio vivido pelas entidades sindicais que trata da renovação das lideranças. Ela destacou a presença de novos delegados e delegadas no Conurb, e afirmou que formar novos dirigentes é uma condição para garantir continuidade às lutas acumuladas ao longo das últimas décadas.