
Durante o XII Conurb-DF, o cientista político Neuriberg Dias analisou o cenário eleitoral de 2026 e afirmou que a correlação de forças no Congresso Nacional será decisiva para o futuro das políticas públicas e dos direitos sociais
Embora a eleição presidencial concentre boa parte da atenção do debate público, a disputa pelas cadeiras da Câmara dos Deputados e do Senado pode definir os rumos do país nos próximos anos. Esse foi um dos principais destaques do cientista político e diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Neuriberg Dias, durante a mesa sobre análise da conjuntura local e nacional realizada nesta sexta-feira (26), no primeiro dia do XII Congresso dos Urbanitários do Distrito Federal (Conurb-DF).
Ao analisar o cenário político brasileiro, Neuriberg chamou atenção para um aspecto que, segundo ele, muitas vezes costuma passar despercebido durante os períodos eleitorais, que é a relação entre o poder econômico e a composição do Congresso Nacional.
“O pacto entre mercado e Congresso precisa ser compreendido por quem acompanha a política brasileira. É nessa relação que muitas decisões sobre direitos, orçamento e papel do Estado acabam sendo definidas”, afirmou.
Na avaliação do diretor do DIAP, o Parlamento continuará sendo um espaço estratégico da disputa política em 2026, independentemente de quem ocupe a Presidência da República. Para ele, compreender quem são os parlamentares eleitos e quais interesses representam é tão importante quanto acompanhar a corrida presidencial.
Durante sua exposição, Neuriberg lembrou que o ambiente político atual é resultado de mudanças profundas ocorridas nos últimos anos. A circulação acelerada de informações, a fragmentação das representações políticas e o fortalecimento da polarização alteraram a forma como a sociedade se relaciona com as instituições democráticas.
Segundo ele, esse cenário abriu espaço para que setores econômicos ampliassem sua influência sobre a agenda política, pressionando por mudanças que reduzem o papel do Estado e ampliam a participação da iniciativa privada em áreas estratégicas.
Para o cientista político, essa disputa aparece de forma concreta no Congresso. Ele citou como exemplo a tramitação simultânea de projetos ligados a pautas econômicas e de costumes, utilizadas, segundo sua avaliação, para mobilizar setores do eleitorado e deslocar o debate de questões estruturais que afetam diretamente a população.
Neuriberg também alertou para o risco de retomada de propostas que atingem o movimento sindical e os direitos dos trabalhadores. Segundo ele, parte dessas iniciativas não avançou nos últimos anos devido à resistência de entidades sindicais e de setores do próprio Parlamento, mas podem voltar à pauta caso a correlação de forças no Congresso se altere após as eleições.
“A disputa não é apenas sobre quem será o próximo presidente. Também está em jogo qual será o papel do Estado, da democracia e da soberania nacional”, resumiu.
Ao abordar as eleições de 2026, o diretor do DIAP avaliou que o país deve viver novamente um cenário de forte polarização política. Para ele, além da escolha do chefe do Executivo, será determinante observar quem ocupará as cadeiras da Câmara e do Senado, responsáveis por aprovar reformas, definir o orçamento e deliberar sobre projetos que impactam diretamente a vida da população.
Encerrando sua participação, Neuriberg afirmou que o movimento sindical precisa acompanhar de perto o processo eleitoral, fortalecer a comunicação com os trabalhadores e ampliar o debate sobre a importância da representação parlamentar.
“O Congresso continuará sendo um dos principais espaços onde se decide o futuro dos direitos sociais e das políticas públicas. Por isso, acompanhar sua composição é parte da luta em defesa da classe trabalhadora”, concluiu.

