
Mais de 60 delegados e delegadas eleitos deram início, na manhã desta sexta-feira (26), ao XII Congresso dos Urbanitários do Distrito Federal (Conurb-DF), realizado no auditório do Sinpro-DF. Durante dois dias, representantes da categoria vão debater os desafios do setor elétrico, a conjuntura política, a reforma estatutária do sindicato e o plano de lutas que deverá orientar a atuação da entidade nos próximos anos.
Na abertura, os participantes deixaram claro que o Congresso vai além das pautas internas da categoria. As intervenções apontaram para um cenário marcado pelos impactos das privatizações, pela precarização das relações de trabalho e pela necessidade de reorganização do movimento sindical diante das disputas políticas que antecedem as eleições de 2026.
Ao dar as boas-vindas aos participantes, o dirigente do STIU-DF, Mauro Martinelli, destacou que o encontro foi construído para preparar a categoria para um período considerado decisivo.
“Vamos discutir a conjuntura local, nacional, internacional e setorial, os impactos das eleições para a classe trabalhadora, a reforma do nosso estatuto, o fortalecimento da Confederação Nacional dos Urbanitários e o plano de lutas que vai orientar nossa atuação”, afirmou.

A defesa do setor elétrico e dos direitos dos eletricitários atravessou praticamente todas as falas da manhã. Ex-governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz relembrou investimentos realizados no sistema elétrico durante sua gestão e ressaltou que as mudanças provocadas pelas privatizações têm reflexos diretos na vida dos trabalhadores.
Segundo ele, cabe ao movimento sindical preservar direitos que vêm sendo pressionados desde a transferência de empresas públicas para a iniciativa privada. Entre os exemplos citados estão a manutenção dos planos de saúde e a retomada da aposentadoria especial para os trabalhadores do setor elétrico.
“O sindicato é quem assegura os direitos e as garantias dos trabalhadores em períodos de mudança”, resumiu.
O tema voltou à mesa durante o debate sobre conjuntura política. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) defendeu que a privatização da Eletrobras representa um prejuízo para o desenvolvimento nacional e afirmou que a luta pela retomada da empresa permanece viva no movimento sindical.
Ela também destacou a necessidade de avançar na proposta que restabelece a aposentadoria diferenciada dos eletricitários, reconhecendo as condições específicas da atividade exercida por esses profissionais.
“O projeto precisa avançar para garantir justiça aos trabalhadores que contribuem de forma diferenciada ao longo da vida”, afirmou.

Os participantes discutiram ainda os impactos das eleições de 2026 para os trabalhadores, para os serviços públicos e o setor energético, relacionando o cenário político às disputas em torno da soberania nacional, da proteção das empresas estatais e da ampliação dos direitos sociais.
Nas intervenções, foi recorrente a avaliação de que o avanço de políticas privatizantes e a perda de representação da classe trabalhadora nos espaços institucionais exigem maior capacidade de organização popular.
Presidente do Sinpro-DF, Cléber Soares afirmou que a unidade entre as categorias será determinante para enfrentar os desafios do próximo período.
“Precisamos derrotar os projetos que atacam os trabalhadores e construir maioria para pautas como o fim da escala 6×1 e a reestatização das empresas que foram privatizadas”, disse.
O deputado distrital Chico Vigilante fez um resgate da trajetória do movimento sindical brasileiro e chamou atenção para as mudanças ocorridas nas últimas décadas. Segundo ele, o enfraquecimento financeiro das entidades e a dificuldade de mobilizar as novas gerações criaram obstáculos para enfrentar os processos de privatização e desnacionalização das empresas públicas.
Ao citar a antiga CEB, hoje privatizada, o parlamentar avaliou que as transformações no setor elétrico têm produzido relações de trabalho mais precárias, com aumento da terceirização e redução da proteção aos trabalhadores e trabalhadoras.

As eleições de 2026 apareceram como um dos principais desafios para o próximo período. Para os convidados, o resultado das urnas terá impacto direto sobre temas como a defesa das empresas públicas, a valorização dos serviços essenciais, os direitos previdenciários e as condições de trabalho dos eletricitários.
Além das análises políticas, o XII Conurb-DF também discutirá a atualização do estatuto do sindicato e definirá o plano de lutas que orientará a atuação da entidade diante dos desafios colocados para a categoria.
Para o diretor do STIU-DF, Ailton Andrade, o objetivo do Congresso é transformar o debate em estratégias concretas para fortalecer a organização sindical e ampliar a capacidade de mobilização dos trabalhadores do setor elétrico em defesa dos direitos, das empresas públicas e da soberania nacional.
