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Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena, em 1993, reconheceu oficialmente a violência contra as mulheres como uma violação de direitos humanos. Desde então, governos e organizações sociais em todo o mundo têm assumido o compromisso de enfrentar essa realidade. O Brasil, como signatário de todos os tratados internacionais voltados ao combate à violência de gênero, tem a responsabilidade, moral, política e institucional, de garantir que esse enfrentamento seja real, contínuo e eficaz.
Mesmo com avanços importantes no campo legislativo, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a realidade brasileira ainda é permeada pela persistência da violência contra as mulheres. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que a violência psicológica é hoje a forma mais recorrente de agressão. Segundo o levantamento, 88% das mulheres entrevistadas afirmam ter vivido esse tipo de violência ao menos uma vez na vida.
É nesse contexto que chegamos ao 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. A data é o reforço para a necessidade de ações concretas de proteção. A violência de gênero se manifesta de múltiplas formas, física, sexual, psicológica, moral, patrimonial, institucional e política, e atravessa todos os espaços da vida, inclusive o mundo do trabalho.
As mulheres convivem com uma cultura organizacional historicamente masculinizada, que se expressa em desigualdade salarial, desconfiança sobre suas competências técnicas, silenciamento, hostilidade cotidiana e assédio moral e sexual. São violências que adoecem, afastam e produzem um desgaste profundo, muitas vezes invisível.
Não à toa, o burnout, que 2022 passou a ser reconhecido como acidente de trabalho, aparece como consequência direta de metas abusivas, pressão constante e práticas sistemáticas de assédio moral. Quando o ambiente de trabalho desumaniza e causa sofrimento contínuo, estamos falando de violência psicológica. E essa realidade tem sido cada vez mais presente nas empresas, inclusive do setor elétrico.
Mas a violência não se esgota nas relações internas de trabalho. A desigualdade climática, reconhecida internacionalmente, também afeta mulheres de maneira mais severa. A COP30 já antecipou que os impactos da crise climática, como eventos extremos, insegurança hídrica e alimentar, deslocamentos e perda de renda, tendem a intensificar a violência de gênero. Nas periferias urbanas, no campo, nas zonas atingidas por desastres ambientais ou por grandes empreendimentos de energia, as mulheres enfrentam camadas extras de vulnerabilidade, e isso não pode ser desconsiderado por um setor diretamente ligado à infraestrutura e ao território.
Além disso, a precarização das relações de trabalho, impulsionada por privatizações, terceirizações, redução de equipes e metas inalcançáveis, também é uma forma de violência. Quando a pressão institucional afeta a saúde, limita a autonomia, reduz salários ou amplia desigualdades, estamos diante de violência econômica e patrimonial. E, como sempre, são as mulheres as primeiras a sentir o impacto dessas escolhas políticas e empresariais.
Nesse contexto, o 25 de novembro precisa ser uma data de reafirmação do nosso compromisso. Defender as mulheres é defender condições dignas de trabalho, canais seguros de denúncia, políticas permanentes de prevenção, acolhimento e responsabilização. É exigir que as empresas reconheçam que metas, lucros e pressões corporativas não podem estar acima da vida. É pautar a transição energética com justiça de gênero, garantindo que as transformações climáticas e estruturais não aprofundem desigualdades.
O enfrentamento à violência contra as mulheres exige compromisso diário. O STIU-DF segue firme, vigilante e atuante na defesa dos direitos, da saúde, da dignidade e da vida de todas as mulheres do setor elétrico.
