Rio de Janeiro – No Dia Mundial do Alzheimer, o médico André Palmini, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), ressalta que, embora não haja dados precisos sobre a doença, ela começa a evoluir no Brasil, como resultado do maior desenvolvimento do país. Com isso, a expectativa de vida de vida têm aumentado.
Palmini lembra que o principal fator de risco do Alzheimer é a idade. “As pessoas têm vivido mais no Brasil. A população brasileira está se aproximando daquela de países mais desenvolvidos. Isso quer dizer que o percentual de pessoas que atingem uma faixa etária acima de 70 anos ou 75 anos tem avançado proporcionalmente muito mais do que nas outras faixas etárias.”
Segundo ele, a doença está crescendo em números absolutos no Brasil, “tornando-se um problema real de saúde pública”. De acordo com o neurologista, em todo o mundo, a prevalência de pacientes com Alzheimer se aproxima da de pacientes com epilepsia, atingindo em torno de 50 milhões de pessoas. Palmini ressalta que, no passado, a distribuição era muito desproporcional, porque os países mais desenvolvidos apresentavam maior número de casos, uma vez que as pessoas viviam mais tempo.Hoje, essa desproporção vem diminuindo. “O Brasil passa a pertencer ao grupo de países desenvolvidos e isso se torna um problema importante”. A medicina tem tentado identificar os fatores que aumentam ou diminuem a probabilidade de pessoas idosas terem Alzheimer.
O neurologista salientou que os fatores mais caracterizados como redutores de risco do Alzheimer. são os hábitos de alimentação e atividade física. A prioridade deve ser para uma alimentação saudável, que mantenha os níveis de colesterol e glicemia controlados. A pressão arterial também deve ser mantida sob o controle. O idoso que não fuma e pratica bastante exercícios físicos diminui o risco de ter a doença.
Hoje, no Rio de Janeiro, será lançado o DVD Alzheimer: Mudanças na Comunicação e no Comportamento, produzido pela Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (Apaz), em parceria com o serviço VideoSaúde, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e a Kino Filmes.A presidente da Apaz, Maria Aparecida Guimarães, disse à Agência Brasil que o objetivo é contribuir para diminuir o preconceito que existe no país em relação à doença e, ao mesmo tempo, chamar a atenção das autoridades para o crescimento do número de pacientes com Alzheimer no Brasil.
O DVD transmite aos parentes de pessoas com a doença orientações de neurologistas, psiquiatras e geriatras, além de psicólogos e musicoterapeutas, mostrando situações que podem ocorrer durante o processo de adoecimento. “Informa e prepara a família para enfrentar essa situação, se isso vier a ocorrer”, destacou Maria Aparecida Guimarães. A programação do evento inclui oficinas com atividades que estiulem a memória e biodança, entre outras.
(Alana Gandra, Agência Brasil, 21.09.11)
Primeiros sinais são ignorados pela maioria das pessoas, diz neurologista
Brasília – Estima-se que 36 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de Alzheimer, o tipo de demência mais comum a afetar o cérebro. No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas têm a doença.
Um relatório divulgado, na semana passada, pela organização Alzheimer´s Disease International, que reúne entidades em vários países, revelou um dado preocupante. Mais de 75% das pessoas que vivem com a doença no mundo não foram diagnosticadas.
Para o neurologista do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Rodrigo Shultz, o diagnóstico da doença ocorre tardiamente porque a maioria ignora os primeiros sinais da doença. “Tanto a família quanto o médico negligenciam, de forma involuntária, as queixas das pessoas”, disse.
Segundo ele, diferentemente de outras doenças, o Alzheimer não é identificado com um único exame, mas a partir de uma análise do histórico médico do paciente e uma avaliação neurológica detalhada.
O primeiro sintoma é a dificuldade de lembrar fatos recentes, como o local onde está um objeto de uso frequente. Segundo o médico, cerca de 30% dos casos são identificados na fase intermediária, quando o doente encontra dificuldade em fazer atividades rotineiras, o que é percebido por amigos e parentes. “A dona de casa, por exemplo, que se atrapalha na cozinha ou com as finanças”, explica Shultz, membro da Academia Brasileira de Neurologia.
Com o passar do tempo, a doença progride e os sintomas pioram. A perda de memória aumenta e o paciente apresenta desorientação, mudanças no humor e deixa de reconhecer pessoas próximas. No estágio final, a pessoa com a doença não consegue andar, falar e comer e enfrenta complicações, como fraturas de membros, por causa de quedas, e feridas pelo corpo, por ficar longos períodos deitada. A terceira idade é a faixa etária com o maior número de registros da doença.
Cuidar de um portador de Alzheimer afeta também a rotina da família. Administrar trabalho, filhos, estudos e o avanço da doença resulta em elevada pressão psicológica sobre o responsável em cuidar do parente doente.
A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) no Rio de Janeiro oferece curso com orientações sobre como cuidar dos parentes acometidos pela doença e dar-lhes melhor qualidade de vida.
A presidenta da associação, Eliana Faria, alerta que o aumento de casos da doença nos próximos anos vai exigir a formação de cuidadores capacitados para atender os idosos. “Quanto mais pessoas apresentam a doença, há menos lugares com atendimento especializado”, disse.
Em alguns estados, associações promovem hoje (21) atividades para esclarecer sobre os sintomas doença por causa do Dia Mundial do Alzheimer.
Não existe cura para a doença. Os remédios e o tratamento conseguem apenas protelar o avanço e aliviar os sintomas. O paciente pode viver, em média, de dez a 12 anos com a doença. A sobrevida, segundo Shultz, está relacionada a fatores genéticos e ao estilo de vida do portador, como a prática de exercícios físicos e a predominância de atividade intelectual, como a leitura.
(Carolina Pimentel, Agência Brasil, 21.09.11)
