O 8 de março é um dia histórico de luta das mulheres trabalhadoras. Foi a partir da ação coletiva de mulheres que o mundo aprendeu que não há transformação social sem a participação ativa das mulheres. Essa experiência de organização e enfrentamento também revelou que as desigualdades não são acidentais ou naturais, mas estruturais. Assim, a luta das mulheres segue denunciando as violações impostas pelo capitalismo, que se sustenta também sobre bases racistas, colonialistas e patriarcais, controlando corpos, explorando o trabalho e impondo silenciamentos.
Em 2026, os movimentos sociais e sindical afirmam: Pela vida das mulheres! Contra o imperialismo, por democracia, soberania e o fim da escala 6×1! Essa palavra de ordem dialoga diretamente com o mundo do trabalho que vivemos hoje, com jornadas exaustivas, múltiplas responsabilidades, assédio moral e sexual, desigualdade salarial e o permanente estado de esgotamento que atinge, sobretudo, as mulheres.
O que vivemos hoje é a intensificação da exploração combinada à desvalorização e uberização do trabalho, um modelo que exige produtividade permanente, mas não garante dignidade, ou seja, manter as mulheres cansadas, culpadas e silenciosas passa por um projeto de poder.
Nesse cenário, a redução da jornada de trabalho deve ser uma bandeira prioritária do movimento sindical. Mas que essa luta vá além de diminuir horas no relógio, é preciso reduzir a jornada formal e também enfrentar a desigualdade na divisão do trabalho doméstico e de cuidado, caso contrário, pode significar apenas deslocar a sobrecarga de lugar. Para as mulheres, muitas vezes, menos horas no emprego não significam mais descanso, mas mais responsabilidades invisibilizadas dentro de casa.
A proposta pelo fim da escala 6×1(PEC 148/2015) em tramitação no Senado amplia de um para dois dias o descanso mínimo semanal, apontando para a possibilidade de reorganizar o tempo social e melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora. Mas essa conquista só será plena se vier acompanhada de uma mudança estrutural que reconheça o cuidado como responsabilidade coletiva e não destino feminino.
Além disso, a recente decisão da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, denunciada pela Marcha Mundial das Mulheres, que absolveu um homem de 35 anos que mantinha relação com uma menina de 12 anos sob o argumento de “formação de família”, escancara como a violência institucional ainda protege agressores e tenta normalizar a exploração dos corpos femininos. Não se trata de um caso isolado. Trata-se de uma estrutura que insiste em relativizar a violência contra meninas e mulheres.
Diante disso, o sindicato reafirma que o ambiente de trabalho e todos os demais ambientes precisam ser espaços de respeito, segurança e dignidade. Sem assédio, sem violência, sem sobrecarga, exploração e sem desigualdades.
Assim, é papel do movimento sindical organizar, acolher, orientar e agir. É fortalecer políticas de prevenção ao assédio. É lutar por jornadas justas, e enfrentar a cultura que silencia mulheres e normaliza abusos.
O 8 de março nos convoca à ação coletiva. Porque quando uma mulher impõe limites, ela rompe uma expectativa. Quando muitas mulheres se organizam, elas transformam estruturas.
Seguimos juntas, organizadas e em luta pela vida das mulheres, por condições dignas de trabalho e por uma sociedade onde nenhuma violência seja tolerada.
Lutar pela vida das mulheres é um ato político.

