O assédio moral e o assédio sexual continuam sendo uma realidade presente em muitos ambientes de trabalho, causando sofrimento, adoecimento, insegurança e impactos profundos na vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Romper o silêncio e enfrentar essas práticas é uma responsabilidade coletiva.
Por isso, o Sindicato dos Urbanitários no Distrito Federal (STIU-DF) inicia, neste mês de junho, uma campanha de combate ao assédio moral e sexual, com o objetivo de conscientizar a categoria, fortalecer a prevenção, acolher denúncias e construir ambientes de trabalho mais seguros, respeitosos e saudáveis.
A campanha parte do entendimento de que o assédio não é um problema individual. Trata-se de uma violência que afeta toda a coletividade, compromete as relações de trabalho, enfraquece a organização dos trabalhadores e contribui para o adoecimento físico e mental da categoria.
Muitas vezes, o assédio se manifesta por meio de humilhações, constrangimentos, perseguições, ameaças, cobranças abusivas, isolamento, discriminação ou comportamentos de natureza sexual indesejada. Essas práticas não podem ser naturalizadas nem tratadas como parte da rotina profissional.
Além de violar direitos fundamentais, o assédio tem impactos diretos sobre a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Ansiedade, estresse, depressão, esgotamento emocional, perda de autoestima e dificuldades de concentração são algumas das consequências que podem surgir em ambientes marcados pela violência psicológica. Em 2025, o país registrou um recorde de 546.254 afastamentos de trabalho devido a transtornos mentais, impulsionado principalmente por depressão e ansiedade.
Nesse contexto, ganha ainda mais relevância a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir que as empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais, como assédio e sobrecarga, dentro de seus programas de saúde e segurança. A medida reconhece que a proteção à saúde dos trabalhadores não se limita aos riscos físicos, químicos ou biológicos, mas também envolve fatores organizacionais que podem provocar sofrimento mental e adoecimento. Combater o assédio, portanto, também é uma responsabilidade das empresas e faz parte da construção de ambientes de trabalho saudáveis e seguros.
Quebrar o ciclo é uma tarefa de todos e todas
O silêncio protege quem pratica o assédio. A informação, a solidariedade e a denúncia são ferramentas fundamentais para interromper esse ciclo de violência.
A campanha busca estimular o debate sobre o tema, ampliar o conhecimento dos trabalhadores e trabalhadoras sobre seus direitos e fortalecer uma cultura de respeito nos locais de trabalho. Além de denunciar situações já ocorridas, é preciso criar condições para que elas não se repitam.
No setor elétrico, essa discussão é ainda mais necessária. Trata-se de uma atividade que exige atenção permanente, equilíbrio emocional, capacidade de análise e tomada de decisões rápidas, tanto nas atividades operacionais quanto administrativas. O desgaste provocado pelo assédio pode comprometer o desempenho cognitivo dos trabalhadores, aumentar os níveis de estresse e ampliar os riscos de falhas operacionais, acidentes de trabalho e até mesmo ocorrências fatais.
Por isso, combater o assédio não é apenas uma questão de respeito e dignidade. É também uma medida de proteção à vida, à saúde e à segurança dos trabalhadores e trabalhadoras.
O sindicato reafirma seu compromisso com a defesa da dignidade, da saúde e dos direitos da categoria e destaca que nenhum trabalhador ou trabalhadora deve enfrentar essa situação sozinho.
Denuncie
Caso esteja vivenciando ou presenciando situações de assédio moral ou sexual, procure o sindicato.
As denúncias podem ser realizadas de forma anônima por meio do campo “Fale Conosco” disponível no site do STIU-DF. Se houver documentos, mensagens, registros, gravações ou qualquer outro material que possa contribuir para a apuração dos fatos, eles também podem ser encaminhados junto à denúncia.
Toda informação recebida será tratada com responsabilidade, sigilo e compromisso com a defesa dos trabalhadores e trabalhadoras.
Não se cale
O combate ao assédio é uma luta permanente. E essa luta precisa da participação de cada trabalhador e trabalhadora.
Vamos quebrar o ciclo do assédio. Denunciar é um ato de coragem. Enfrentar o problema é um compromisso coletivo.

