Grupo de alunos da Escola da Vila, de São Paulo, escolheu a luta pela redução da jornada de trabalho e a atuação dos sindicatos como tema de um documentário que busca compreender as transformações nas relações de trabalho e os desafios da organização coletiva.

O STIU-DF recebeu, em junho, a visita de cinco estudantes do 3º ano do ensino médio da Escola da Vila, de São Paulo, interessados em compreender como o movimento sindical atua diante das transformações no mundo do trabalho.

A conversa fez parte da pesquisa para um documentário produzido pelos alunos na disciplina Política, Sociedade e Ciência, projeto desenvolvido há mais de 15 anos pela escola e que propõe aos estudantes investigar temas relacionados à formação do Estado brasileiro. Neste ano, o grupo escolheu como objeto de pesquisa a luta pelo fim da escala 6×1 e o papel dos sindicatos na organização dos trabalhadores.

A escolha surgiu durante o acompanhamento do debate sobre a redução da jornada de trabalho.

“Enquanto medidas que beneficiam o empresariado costumam avançar rapidamente, propostas voltadas à melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora permanecem por muito tempo sem sair do papel. Também percebemos que a atuação dos sindicatos quase sempre aparece pouco na cobertura da imprensa. Queríamos entender como essa luta acontece para além das grandes decisões tomadas em Brasília”, explica Dan Pessôa, responsável pela produção do documentário.

O grupo investiga duas questões centrais: por que o movimento sindical parece ter perdido parte da força política que exerceu em outros momentos da história e como os sindicatos organizam, na prática, a luta pela redução da jornada de trabalho.

Foi durante a entrevista com os dirigentes do STIU-DF que um aspecto ganhou força na construção do documentário: a relação entre o sindicalismo e as novas gerações de trabalhadores.

“Percebemos que nosso documentário pode ser mais útil do que uma simples constatação de problemas. Entendemos que existe um desafio importante na aproximação entre as novas gerações e o movimento sindical. Esperamos que o filme possa mostrar para a nossa geração que a organização coletiva não é uma ideia ultrapassada e continua sendo um instrumento importante na defesa e na conquista de direitos”, afirma Dan.

Para o dirigente do STIU-DF, Ailton Andrade, a inquietação demonstrada pelos estudantes dialoga com um dos principais desafios enfrentados hoje pelo movimento sindical.

“O mundo do trabalho mudou muito nos últimos anos. Hoje convivemos com a ampliação da terceirização, da pejotização e de outras formas de contratação que acabam fragmentando as categorias e tornando a organização coletiva um desafio ainda maior. Os jovens ingressam nesse cenário muitas vezes sem conhecer a história das conquistas trabalhistas e sem perceber que muitos dos direitos que fazem parte da vida profissional foram resultado da mobilização sindical. Quando estudantes chegam até nós com disposição para ouvir, questionar e compreender esse processo, enxergamos uma oportunidade de construir esse diálogo.”

Segundo Ailton, iniciativas como essa também reforçam o papel dos sindicatos como espaços de formação e de debate sobre a realidade do trabalho.

“As portas do STIU-DF estarão sempre abertas para iniciativas como essa. Quando uma escola escolhe pesquisar o movimento sindical, cria uma oportunidade para que os estudantes conheçam de perto a realidade dos trabalhadores e compreendam como os direitos são conquistados e defendidos. Esperamos que essa experiência incentive outras escolas e outros jovens a conhecer esse universo e a participar desse debate.”

O documentário está sendo produzido por Dan Pessôa (produção), Rafael Mendes (assistência de direção e direção de som), Renato Alves (direção de imagem), Ursula Brandão (roteiro e montagem) e Luís Chui (direção), com orientação do professor Mateus Juan Santos. A previsão é que os filmes produzidos pelos estudantes sejam lançados em novembro, marcando o encerramento do projeto e a conclusão da educação básica.

Para o STIU-DF, iniciativas como essa contribuem para aproximar diferentes gerações do debate sobre o trabalho e os direitos sociais. Por isso, mantém suas portas abertas para escolas, universidades, pesquisadores e organizações da sociedade civil interessados em conhecer a atuação do movimento sindical, trocar experiências e fortalecer espaços de diálogo sobre os desafios que envolvem o presente e o futuro das trabalhadoras e dos trabalhadores.