O STIU-DF realizou, nesta quinta-feira (27), um ato em frente à unidade da Neoenergia Brasília, em Taguatinga, para denunciar a condução da empresa em relação à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2025. A mobilização reuniu os dirigentes sindicais em defesa de uma distribuição justa e contra o aumento das pressões no ambiente de trabalho após a divulgação dos resultados.
Durante o ato, o diretor do sindicato, João Carlos Dias, criticou a postura da empresa e afirmou que o problema vai além dos números. Segundo ele, a Neoenergia tenta transferir aos trabalhadores a responsabilidade por um resultado que decorre de falhas de gestão. “A empresa tenta se eximir da responsabilidade por esse resultado e ainda utiliza essa situação para pressionar ainda mais os trabalhadores, inclusive com foco em metas futuras que sequer começaram a ser debatidas”, afirmou. O dirigente também denunciou o aumento de casos de assédio moral após a divulgação da PLR, com relatos de perseguições, cobranças excessivas e adoecimento da categoria.
Conforme nota divulgada pelo STIU-DF, o resultado da PLR 2025 foi considerado um dos piores dos últimos anos. Dos 17 objetivos estabelecidos, seis tiveram pontuação zerada, outros seis tiveram alcance parcial e apenas cinco foram atingidos integralmente, resultando em 446 pontos e 0,645% do Ebtida. O valor total a ser distribuído caiu para R$ 2,74 milhões, uma redução expressiva em relação aos R$ 8,11 milhões pagos na PLR de 2024. O valor linear também sofreu queda, passando de R$ 4.633,00 para R$ 1.577,00, somado a 28,22% do salário para cálculo individual.
A nota também questiona as justificativas apresentadas pela empresa para o desempenho negativo, como endividamento, dificuldades na contratação de empreiteiras, entraves relacionados à geração distribuída e atrasos em projetos sob responsabilidade do governo. Para o sindicato, são fatores que fogem completamente do controle dos trabalhadores e evidenciam problemas de gestão.
Outro ponto considerado grave pela entidade é a intenção da empresa de descontar, em 2026, os valores antecipados da PLR pagos em setembro de 2025, inclusive de trabalhadores que receberão menos do que foi adiantado. Para o sindicato, a medida é ilegal e descumpre o acordo firmado com a categoria. “É uma verdadeira punição aos trabalhadores”, destacou João Carlos Dias.
O STIU-DF também denuncia que esse cenário se soma a práticas recorrentes de assédio moral, perseguição e cobrança abusiva por produtividade, o que tem impactado diretamente a saúde dos eletricitários. Diante disso, o sindicato reforça que os trabalhadores não podem ser responsabilizados pela gestão da empresa e afirma que não haverá debate sobre a PLR de 2026 sem a resolução dos problemas relacionados à PLR de 2025 e uma revisão do modelo atual.
A entidade orienta que trabalhadores que estejam enfrentando situações de assédio ou pressão procurem o sindicato para formalizar denúncias. Ao final do ato, o STIU-DF reafirmou que seguirá mobilizado na defesa dos direitos da categoria e não descarta novas mobilizações até que haja respeito aos trabalhadores e uma solução justa para a PLR.

