Fumaça sobe após um ataque aéreo israelense em Tiro, em 9 de junho de 2026 | Crédito: Kawant Haju/AFP

Por Ana Rosa Carrara e Maria Teresa Cruz l Brasil de Fato – publicado em 15 de junho de 2026.

Mesmo com o anúncio de um acordo para o fim do conflito entre Estados Unidos e Irã, Israel mantém a posição de que seguirá ocupando o Líbano e realizando ataques. Um documento formalizando o fim da guerra será apresentado na próxima sexta-feira (19) e prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim dos bombardeios no Oriente Médio por parte de Israel.

A analista internacional Ana Prestes avalia, no entanto, que em se tratando da instabilidade de Donald Trump, tudo pode acontecer ao longo da semana. “O memorando de entendimento é mais frágil do que um acordo de paz. Mas podemos dizer que estamos a caminho de um acordo. O primeiro passo seria assinar o memorando de entendimento mediado pelo Paquistão. Agora, o grande entrave é Benjamin Netanyahu, é Israel, para a consolidação de um acordo”, afirma, destacando como o fim da guerra nestes termos seria uma vitória para o Irã. “Os EUA atacaram, mataram o líder Supremo, falaram em mudança de regime. Nada disso se deu. E o Irã conseguiu construir um caminho para se chegar a esse momento de uma conversação. O Irã sempre deixou claro que incluiria o Líbano no acordo. E também os EUA podem não entregar tudo que foi negociado, já que estamos falando de Trump. Tem vários fios soltos que podem dar curto-circuito na construção desse acordo”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

“O inimigo da paz no mundo, ao lado de Trump, é Benjamin Netanyahu”, ressalta a analista.

Para Ana Prestes, apesar de o acordo ser bastante desejável para os EUA, Trump é um líder imprevisível e pouco confiável. “Quantas idas e vindas vimos de Trump nesse segundo mandato, inclusive bastante agressivas. A situação da Venezuela, a situação de Cuba. Embora os EUA precisem muito desse acordo e — de fato, eles precisam, porque o estrangulamento do Estreito de Ormuz foi muito desfavorável para a economia dos EUA — eles têm um presidente imponderável e imprevisível. O próprio início da guerra, a forma com que se deu. Conselheiros da Casa Branca alertaram que um conflito contra o Irã seria desastroso, mas Trump ignorou”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.