Os trabalhadores e trabalhadoras da AXIA Energia vêm a público manifestar seu profundo repúdio à postura adotada pela alta gestão da empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2028, bem como à proposta final que impõe a retirada de conquistas históricas.
Embora a proposta tenha sido aprovada em assembleia pela maioria, é fundamental registrar que tal decisão ocorreu em uma conjuntura extremamente desfavorável à categoria, marcada por um clima permanente de insegurança, pressão psicológica e constante ameaça de demissões. Ressalte-se que a aprovação do acordo não representa concordância plena com os retrocessos apresentados, nem significa satisfação com a postura da empresa. Pelo contrário, reflete a dura realidade de quem, diante do receio do desemprego e da instabilidade, viu-se obrigado a aceitar uma oferta aquém do merecido e pautada pela retirada de conquistas históricas.
Causa indignação o fato de que, mesmo ante os excelentes resultados operacionais alcançados pela AXIA Energia, a alta gestão tenha optado por impor sacrifícios justamente aos trabalhadores e trabalhadoras que sustentam os excelentes resultados da empresa. A categoria convive com forte pressão, estresse elevado, sobrecarga e um crescente adoecimento físico e mental — situação nitidamente percebida no cotidiano laboral, porém ignorada pela cúpula da empresa. Esse cenário tem contribuído, de forma preocupante, para a ocorrência sistemática de acidentes, evidenciando o agravamento das condições de trabalho e a ausência de políticas efetivas de prevenção e cuidado com a saúde e segurança dos trabalhadores.
Em vez de reconhecimento e valorização, os profissionais recebem uma proposta que reduz direitos e fragiliza garantias construídas ao longo de anos de dedicação e luta coletiva. É igualmente revoltante constatar que, enquanto os trabalhadores e trabalhadoras sofrem perdas e adoecem, a alta gestão permanece beneficiada com remunerações, bônus e vantagens muito superiores aos padrões de mercado, o que evidencia uma profunda desigualdade no tratamento dispensado aos diferentes níveis da estrutura empresarial.
Repudiamos a lógica de gestão que transfere aos trabalhadores o ônus dos ajustes e das estratégias corporativas, ao mesmo tempo em que preserva privilégios da alta administração. Os trabalhadores e trabalhadoras da AXIA Energia merecem respeito, valorização, condições dignas e salários compatíveis com os resultados operacionais e financeiros que ajudam a construir diariamente.
Esta moção expressa a insatisfação, a indignação e o sentimento coletivo de que a força de trabalho não pode continuar sendo tratada apenas como números, especialmente em uma organização que alcança resultados tão expressivos graças ao esforço, à competência e ao comprometimento de seus profissionais.
É imprescindível que a alta gestão adote uma postura de valorização dos seus profissionais, reconhecendo-os como o principal ativo da AXIA Energia. A manutenção de uma política predatória resultará, em breve, em prejuízos financeiros e na perda de relevância da empresa como líder na América Latina, impactando diretamente seus acionistas.

