O governador Agnelo Queiroz usará a partir de hoje a propaganda política do PT no rádio e na televisão para um mea-culpa por não ter conseguido realizar ainda a revolução na área de saúde que prometeu na campanha eleitoral do ano passado. Agnelo gravou dois comerciais que serão veiculados até o início de outubro em 40 inserções partidárias de 30 segundos. O tom do discurso será de que os problemas na rede de atendimento público hospitalar herdados de administrações anteriores eram muito maiores do que se imaginava durante a disputa pelo Palácio do Buriti.

Agnelo vai mostrar realizações no setor, mas dirá que ainda falta muito a fazer. Durante o embate eleitoral, ele prometeu assumir pessoalmente a Secretaria de Saúde para buscar uma solução para a crise. Ele garantiu que muitas mudanças seriam sentidas no fim do primeiro semestre do governo. “Vamos divulgar o muito que já foi feito e explicar que nem todos os resultados foram sentidos ainda devido à complexidade dos problemas”, explica o secretário de Comunicação do PT-DF, Raimundo Júnior. “O governo vai precisar de um pouco mais de tempo para resgatar os compromissos nesse setor”, acrescenta.

Por decisão da executiva regional da legenda, todos os comerciais foram cedidos para defender a administração de Agnelo Queiroz. A avaliação é de que há uma aprovação modesta à atuação até o momento. Por isso, os pronunciamentos ficarão restritos ao governador, sem espaço para divulgação da imagem dos parlamentares petistas.

Além de dar uma explicação sobre o tema considerado prioritário na campanha, Agnelo vai aproveitar o tempo do partido em horário nobre para associar o seu governo ao da presidente Dilma Rousseff. O PT vai mostrar que no Distrito Federal o Programa Minha Casa, Minha Vida começa a dar bons frutos. O número a ser exibido é de 25 mil unidades habitacionais em execução, por meio da parceria com o governo federal.

A criação é da produtora S2 Filmes, segundo Raimundo Júnior, com apoio conceitual de integrantes do grupo político do governador, da direção regional do PT e do diretor de Projetos Especiais da Propeg, André Schaer. De acordo com integrantes da equipe que definiu o conteúdo das inserções, a estratégia adotada foi tratar das ações na área de saúde sem tentar maquiar resultados com factoides e, sim, assumindo que ainda falta muito a fazer para alcançar um padrão de excelência.

(Ana Maria Campos, Correio Braziliense)