
Por Ana Gabriela Sales / Jornal GGN – publicado em 11 de fevereiro d 2026.
A administração de Donald Trump elevou a pressão sobre Cuba a um patamar de asfixia econômica que flerta com o desastre humanitário. Sob o argumento de que a ilha representa uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional, a Casa Branca impôs um bloqueio energético que cortou o fornecimento de petróleo venezuelano e acuou fornecedores alternativos, como o México, por meio de ameaças tarifárias. O resultado é um país no escuro, com serviços básicos colapsados e uma população penalizada por uma ofensiva que prioriza o cálculo eleitoral na Flórida em detrimento da estabilidade regional.
O preço da paralisia
A tática de “asfixia”, termo endossado pelo Kremlin ao criticar a postura americana, já produz efeitos devastadores no cotidiano cubano. Sem combustível, o transporte público desapareceu das ruas, forçando cidadãos a pernoitarem em estabelecimentos por falta de meios de locomoção. O anúncio de que a ilha não possui mais querosene de aviação para abastecer voos internacionais isola Cuba geograficamente, ferindo de morte o turismo, principal motor de uma economia já fragilizada.
O governo de Miguel Díaz-Canel tenta administrar o caos com racionamentos severos. Hotéis foram fechados, escalas de trabalho reduzidas e as aulas presenciais suspensas.
Ideologia sobre diplomacia
Analistas apontam que a agressividade de Trump carece de fundamentos econômicos pragmáticos, configurando-se como uma “bandeira ideológica” para satisfazer o eleitorado conservador de origem cubana nos EUA.
Diferente da Venezuela, cujas reservas de petróleo despertam interesses corporativos, Cuba oferece pouco retorno material que justifique uma intervenção de tamanha envergadura.
Nesse cenário, figuras como o Secretário de Estado, Marco Rubio, instrumentalizam a crise para consolidar uma agenda de “pressão máxima” que ignora apelos por canais humanitários.
A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, limita-se a afirmar que o regime cubano “está nas últimas“, tratando o colapso social como um efeito colateral aceitável de sua política externa.
Isolamento e resistência
Mesmo aliados tradicionais, como o México de Claudia Sheinbaum, viram-se obrigados a recuar diante das ameaças de tarifas de Trump, suspendendo vendas de combustível para proteger a própria economia. Embora tenha enviado ajuda humanitária e classificado as medidas americanas como “injustas“, a margem de manobra mexicana é estreita diante da dependência comercial com os EUA.
A Rússia e a China manifestaram solidariedade a Havana, mas o apoio logístico desses países ainda não foi suficiente para romper o cerco energético. Enquanto Trump insiste que Cuba deve aceitar um acordo, cujos termos ele sequer detalha, o Ministério das Relações Exteriores cubano reafirma que não negociará sob coerção, deixando o impasse em um estágio de tensão máxima que, no curto prazo, promete apenas o agravamento da miséria na ilha.
