Na negociação da PLR 2024, que foi assinada faltando poucos dias para encerrar o ano, houve o compromisso da Eletrobras de que na PLR 2025 tudo seria diferente. Mas a Empresa não cumpriu com sua promessa e após cobranças insistentes do Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE), a negociação que deveria começar no máximo em março, começou em 18 de agosto. Em sua primeira proposta, a Eletrobras trouxe os pontos abaixo:

  • Distribuição de 100% conforme a remuneração;
  • Alvo: 2 remunerações;
  • Teto Individual de R$ 39.452,00;
  • Piso: Sem piso;
  • Indicadores: grupo de 5 Indicadores (únicos para todas a Companhia);
  • Curva de Desempenho: de 80% a 120%
  • Curva de Pagamento: de 67% a 133%

O CNE rapidamente manifestou contrariedade com relação à forma de distribuição, alvo baixo ao comparar com outras empresas do segmento de energia, retirada do piso e limitação do teto. Ademais solicitamos à Eletrobras os protocolos e histórico de desempenho dos indicadores propostos que foram apresentados pela Eletrobras para a PLR 2025. Estas informações foram enviadas alguns dias depois e em 02/09 o CNE enviou contraproposta com as seguintes premissas:

  • Distribuição da PLR 50% linear e 50% proporcional à remuneração;
  • Alvo: 04 remunerações para TODOS(AS), sem distinção;
  • TETO: sem limite individual;
  • Piso de acordo com o percentual de pagamento consolidado:
    • 67%: R$ 20.100,00
    • 83,5%: R$ 25.050,00
    • 100%: R$ 30.000,00
  • Pagamento proporcional da PLR 2025 durante o período do Aviso Prévio trabalhado ou indenizado, conforme previsto na CLT, artigo 487, parágrafo 1º e entendimentos do Tribunal Superior do Trabalho.

Com relação aos indicadores, considerando que o resultado dos indicadores operacionais pode ser impactado pela atual política de gestão de pessoas da Empresa e que a assessoria econômica do CNE ainda estava estudando os resultados parciais encaminhados, estes seriam apresentados no decorrer da negociação.

A intenção da proposta foi a de adequar o alvo de remunerações às práticas de mercado, de forma isonômica, sem segregar a categoria. Valorizar o trabalho de TODOS(AS) ao melhorar o pagamento desta PLR aos menores salários, retornando com a distribuição 50% linear e 50% de acordo com a remuneração. Além de reestabelecer o piso, ao aumentar o alvo de remuneração, é lógico que o piso seja elevado, ficando entre R$ 20.100,00 a R$ 30.000,00, de acordo com a curva de pagamento. Além de adequar o termo aos entendimentos jurídicos sobre a questão do aviso prévio.

Após receber a proposta do CNE, a Eletrobras realizou nova reunião com os membros da comissão de PLR, no dia 12/09, apresentando esta proposta atual que segrega um grupo em detrimento de outro, estabelecendo um alvo de 4 remunerações apenas para um grupo de profissionais de nível superior. O piso retorna, mas congelado em relação ao de 2024 (de R$ 10.000 a R$ 15.000,00, de acordo com a curva de desempenho dos indicadores, que precisa ser superior a 80%), e também não observando a legislação no que tange o pagamento da PLR no Aviso Prévio dos trabalhadores desligados da Empresa.

O CNE recebeu apenas ontem à noite as premissas finais da proposta, em uma apresentação Power point, da Empresa. A tramitação normal é a discussão com as entidades e posterior debate com a categoria. Ao divulgar a proposta, com informações inverídicas, com meta individual que sequer apareceu em mesa, a Eletrobras demonstra ainda que podem aparecer surpresas no processo, além de desconsiderar a mesa de negociação, ambiente essencial e democrático às relações de trabalho. Segregar a categoria apenas por sua qualificação é minimizar e diminuir a importância e responsabilidade de TODOS(AS) para alcançar os resultados que a Eletrobras vem atingindo. É desconsiderar que a maior parte do sacrifício está nas costas de quem recebe menos.

Nos últimos anos, as despesas da letra P (pessoal) do PMSO da Eletrobras, foram reduzidas drasticamente, as pessoas acumularam suas atribuições com as dos colegas que saíram nos últimos incentivos e através de demissões, ficando sobrecarregados. As novas pessoas contratadas encontram um ambiente adoecido e se desencorajam a seguir quando percebem que a empresa trata os iguais como diferentes. A PLR distribuída 100% com base na remuneração, faz com que os maiores salários já percebam uma PLR diferenciada. Estabelecer mais um mecanismo que trata a categoria de forma diferente no que tange à distribuição dos lucros e resultados é desproporcional.

O conjunto de trabalhadores é como uma engrenagem, onde cada um é uma peça essencial que precisa funcionar bem com suas habilidades e conhecimentos em conjunto com as outras, para que a Empresa possa atingir os seus resultados.

A Eletrobras divulgou ao mercado que os acionistas receberão 4 bilhões de dividendos: “O resultado do 2T25 marcou um divisor de águas para a Eletrobras. Foi nesse momento que a companhia se consolidou como um caso claro de geração de dividendos”, afirma João Zanott, analista CNPI da EQI Research.” E os trabalhadores, não vão receber a sua parte deste lucro?

Entendemos que a negociação da PLR 2025 não acabou. Quem atrasou a negociação foi a Eletrobras. Quem divulgou informação inverídica foi a Eletrobras.

PLR JUSTA PARA TODOS, SEM DISTINÇÃO DE TRABALHADORES!

FORTALEÇA SEU SINDICATO – FILIE-SE! JUNTOS SOMOS MAIS FORTES.