A pandemia da COVID-19 exigiu inúmeras alterações em nossas rotinas, tendo como principal motivação a preservação da vida humana. Dentre os vários desafios, um, em especial, levou a mudanças no desenvolvimento das atividades dos trabalhadores do ONS, a adoção do regime de trabalho – home office.

O regime de home office, atualmente, atinge cerca de 85% (oitenta e cinco por cento) do quadro de trabalhadores do ONS. As equipes de tempo real dos centros de operação, um pequeno grupo de trabalhadores que desenvolvem atividades de suporte às equipes de tempo real e de TI, além de um pequeno grupo de trabalhadores terceirizados, foram praticamente os únicos que permaneceram, desde o início da pandemia, executando suas atividades nos escritórios da empresa.

A adoção do home office foi uma necessidade, praticamente compulsória, em função do risco envolvido no deslocamento das pessoas e no desenvolvimento das atividades nos escritórios do ONS. Ressalta-se, no entanto, que essa modalidade de trabalho é uma demanda histórica dos trabalhadores do ONS, que frequentemente a sugeriam nas discussões sobre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Ao longo de vários anos, as entidades sindicais tiveram rejeitado esse pleito. A empresa nunca aderiu à proposta.

Durante os últimos 9 meses, contudo, temos vivenciado e discutido o home office, experimentando tanto os seus aspectos positivos quanto os negativos. Tendo por objetivo o aprofundamento da discussão sobre o tema, as entidades sindicais sugeriram à empresa a criação de uma comissão paritária, mas a resposta foi a criação de um grupo de trabalho (GT) que contasse com apenas um representante dos trabalhadores, participante das entidades sindicais.

A partir do trabalho efetuado pelo GT, a diretoria do ONS elaborou uma primeira proposta sobre uma política permanente de home-office, a ser implementada quando a pandemia da COVID-19 estiver sob controle, o que certamente dependerá da adoção e imunização por meio de vacina. É importante frisar que a proposta inicial da empresa será um dos aspectos que deverão ser debatidos entre os trabalhadores. A Intersindical ONS assume a responsabilidade de motivar o debate para que os empregados sejam ouvidos em suas experiências e de que as práticas de outras empresas sejam levadas em conta no processo de discussão.

Vale ressaltar que as entidades sindicais sugeriram no ACT 2020/2022, aprovado em setembro/20, uma cláusula sobre Teletrabalho. A empresa não contratou a cláusula, mas concordou em discutir o assunto posteriormente, assumindo esse compromisso em carta que hoje integra o ACT 2020/2022.

É com essa motivação, a de aprofundar o debate sobre teletrabalho no ONS, que a Intersindical inicia uma série de ações junto aos trabalhadores. Nossa intenção é dar transparência ao processo de construção da nova política, permitindo a difusão do assunto e ouvindo os anseios e perspectivas dos empregados do ONS. Só assim teremos massa crítica e condições para negociar uma proposta equilibrada e que atenda aos anseios de todos.

Como primeiro passo, portanto, convidamos a todos para responder esta breve pesquisa. Ela será nosso ponto de partida para elaboração da proposta. Em seguida, faremos duas Lives, em datas distintas, buscando ampliar a discussão do tema e permitir maior interação entre trabalhadores e entidades sindicais. O debate coletivo é sempre profícuo. Por fim, faremos a proposta de uma primeira reunião com a empresa para dar início ao processo negocial.

A Intersindical ONS faz questão de pontuar que é favorável a uma política de teletrabalho, mas que também considera necessário e imprescindível que essa política garanta boas condições de trabalho e de saúde. É fundamental, portanto, garantir direitos para que o regime de teletrabalho não seja um “presente de grego” mas sim uma condição favorável não apenas à empresa mas também aos trabalhadores.